Um caso de amor com Paraty | Pt. 3, Pão de Açúcar do Mamanguá

Depois da noite delícia no centrinho histórico de Paraty, acordamos no domingo bem cedo para tomar café.

Lá no hostel, o café da manhã é servido na frente da recepção então logo cedo demos de cara com o staff e com o Charlie que estava de folga nesse dia.

O plano inicial era ir para a Praia do Sono mas o Charlie estava de saída para a trilha do Pão de Açúcar do Mamanguá – se não me engano o ponto mais alto ali de Paraty, uma pedra parecida com o Pão de Açúcar carioca, óbvio – junto com o Matias (um argentino bonzinho que estava hospedado no hostel no mesmo esquema: trabalhando na recepção em troca de uma cama) e a gente resolveu se infiltrar nos planos deles.

Eu não tinha entendido direito onde é que a gente tava se metendo, só sabia que a gente ia fazer uma trilha íngreme de mais ou menos 45 minutos. Mesmo assim, topei.

O Charlie explicou que a gente ia pegar um ônibus até um lugar x, depois iriamos pegar um barco até outro lugar z onde fica a entrada da trilha.

7975770_7f9ac23cea_oPegamos um ônibus em direção a Paraty-Mirim, meia hora de curva esburacadas. Descemos no ponto final, uma praia deserta, sossegada, sem ondas, com uma casinha que também funcionava de lanchonete e alguns barquinhos de pescadores ancorados bem perto da areia. Negociamos com um barqueiro e ele topou levar a gente até a Praia do Cruzeiro onde fica a entrada da trilha.

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O caminho pelo mar foi maravilhoso. Subimos os quatro na parte de cima do singelo barquinho e fomos contemplando a vista. Chegando na Praia do Cruzeiro, aproveitamos para dar um mergulho nas águas calmas e verdinhas de lá. Fiquei encantada com a proximidade e altura das montanhas. Depois descobri que o Saco do Mamanguá é o único “fiorde” do Brasil, achei demais. Um dos lugares mais marcantes e serenos que já visitei.

1397720_606170602773428_1526702124_oComeçamos a trilha e essa parte foi hardcore. De longe a trilha mais cansativa que já fiz, extremamente íngreme. Paramos pra descansar em alguns momentos. Haja preparo físico pra subir direto.

Mas quando alcançamos o pico, todo o esforço valeu a pena. Me deitei na pedra e juro, eu estava me sentindo no céu. A vista lá de cima é maravilhosa e a sensação inexplicável. Lembro de pensar: “Se Deus existe, é nesse tipo de lugar que a gente se encontra com ele e não dentro de uma igreja…”.

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Ficamos um tempo lá em cima relaxando, jogando conversa fora… cheguei até a cochilar em algum momento. No horário marcado com nosso barqueiro, descemos a trilha para a praia. Mais um lugar que eu prometi voltar, com aquela sensação de “preciso mostrar isso pra outras pessoas”. Pegamos o barco de volta, naquele mesmo esquema, os quatro na parte de cima… exautos, mal conversamos. Eu passei o caminho inteiro absorvendo o máximo que podia daquele lugar, tão zen.

dia mágico 🙏

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De volta a Paraty Mirim, pegamos o ônibus para Paraty. A gente ainda tinha algum tempo na cidade então tomamos um banho, arrumamos as malas e fomos comer algo. O Mati acompanhou a gente e depois fomos direto para a rodoviária. O Charlie sumiu no hostel e sequer tivemos tempo de nos despedir. Nunca mais falei com nenhum dos dois mas isso faz parte da arte de viajar, né?

E assim terminou o final de semana em Paraty.

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Um caso de amor com Paraty | Pt. 1, Perrenguinho de leve

Eu tenho um caso de amor com Paraty. Foram apenas dois dias na cidade que valeram por 10. Arrisco dizer que foi uma das melhores mini trips que já fiz.

Tudo começou um dia no metrô. Eu encontrei sem querer uma amiga antiga, a Dani.
A Dani é dessas meninas fofas, bem resolvidas e suuuper desapegadas. Bem doidinha e aventureira também! Começamos a conversar, ela já estava planejando um fim de semana em Paraty e me convidou. A princípio iríamos em 3, eu, ela e uma outra amiga, mas a outra miou de última hora e fomos só nós duas.

Compramos as passagens de ônibus e reservamos um hostel que custava 15 reais a noite. Sexta feira à noite encontrei ela no terminal Tietê e embarcamos. Às 4h da madrugada chegamos na rodoviária de Paraty sem saber direito o que nos esperava. A gente não tinha avisado no hostel que íamos chegar de madrugada  e sequer sabíamos como ir pra lá.

A rodoviária de noite era meio trash. Muitos homeless por perto e não demorou muito pra um deles – completamente lunático – vir falar com a gente. A Dani deu uma enrolada no cara e a gente se livrou dele. Eu estava começando a ficar com medo.

Decidimos ir para o hostel. A pé, porque de acordo com o Google Maps, eram só 10 minutos caminhando. Andamos para o lugar indicado e chegando lá: cadê o hostel? O endereço era um lugar no meio do nada. Ficamos um tempo rodando no meio da cidade deserta, entramos em uma pousada pra pedir informações e não conseguimos nada… a essa altura o medo já era nítido no meu rosto.

Resolvi jogar o nome do hostel no Google – coisa que eu deveria ter feito a muito tempo – e encontrei um comentário falando que o endereço estava errado no site e dando as direções corretas.

(Obrigada senhor Google e senhor 3g por sempre nos salvarem nessas situações!)

Nisso já devia ser umas 5h da manhã. Pra completar, o lugar certo era do ooooutro lado da cidade, o que deu mais uns 25 minutos caminhando, sozinhas, numa cidade deserta, escura e carregando malas. Meu humor já estava daqueeeele jeito!

Depois da longa caminhada, finalmente achamos a praia do Pontal e o hostel… que estava fechado! Pensamos: vamos esperar na praia até amanhecer e alguém aparecer pra nos receber.

Maaaas….

Uma coisa engraçada de Paraty é que lá tem muitos cachorros na rua. Eu disse MUITOS! E parecia que boa parte deles estavam concentrados nessa praia. Eu gosto de cachorros. Pra mim, eles são sinônimo de carinho. Mas confesso que não tenho muito “jeito” com esses bichinhos. Eu tinha medo de cachorros quando era criança – do tipo que subia na mesa se um poodle chegasse perto – e hoje em dia ainda fico meio apreensiva com cães maiores. Pra piorar, lá em Paraty, o passatempo preferido deles durante a madrugada era tipo… brincar de lutinha.
Olha que sem noção: eles pegavam uma distância um do outro e saiam correndo na mesma direção até se trombarem e ficavam pulando um em cima do outro, até que cansavam, pegavam uma distância e começavam tudo de novo. E como a gente invadiu a festinha deles, parece que eles queriam incluir a gente na brincadeira. O que começou a me incomodar um pouco. Vejam bem, não eram uns 3 cachorros. Eram uns 15. Demais pra mim.
Juntou o sono + friozinho matinal + mau humor por causa do endereço errado + cachorros malucos que não nos davam sossego = eu puta da vida. “Que cidade esquisita, acho que não volto mais pra cá”, comentei com a Dani. Minha expectativa com os próximos capítulos estava no chão.

A paciência acabou e a gente só queria um lugar pra dormir então num momento iluminado – com grande potencial pra decisões erradas – pensamos “porque a gente não tenta entrar no hostel?”

Pulamos o portão, que não tinha mais de um metro de altura. A recepção ficava num lugar que era tipo a garagem de uma casa, coberta mas aberta… e aí tinha uma porta. Pra nossa sorte, estava destrancada.

Abrimos a porta e atrás dela havia tipo uma “área de lazer”. Churrasqueira, mesas e duas redes. Não pensamos duas vezes: deitamos nas redes e dormimos.

1402828_606166826107139_591064019_oMais ou menos 8h da manhã, acordamos com o staff dando uma geral no lugar. Ninguém perguntou nada. Ufa! Nesse horário já tinha gente na recepção então levantamos meio sem graça e fomos até lá, fizemos o check in etc e tal!

Nos levaram até o nosso quarto, que era compartilhado pra 10 pessoas. Só tinha homem. Assim que a gente entrou lá, vi um cara só de cueca com cara de ‘quero cavar um buraco agora e sumir’. Obviamente não estava esperando que garotas aparecessem por ali tão de repente.

Dormimos mais um pouco e acordamos às 11h. Com um quarto daquele eu nem ousei trocar de roupa, dormi de calça jeans mesmo. Depois tomamos um café e aí conhecemos o Charlie, que estava trabalhando na recepção naquele horário.

Charlie é sueco, mas fala um português ótimo. Tem 24 anos e estava viajando pela América do Sul nesse esquema: arranjando bicos em cada cidade que passava em troca de hospedagem e alimentação. Ele era um dos garotos do nosso quarto e já estava em Paraty por uns meses então deu várias dicas sobre a cidade. Nos sugeriu ir pra Trindade aquele dia e ensinou como chegar lá.

Nesse momento meu humor já tava mais neutro, porque sei que é praticamente impossível alguma viagem pra praia ser ruim. Mas eu não tava contando que seria uma viagem formidável. 737234_606166909440464_1358136133_o
Fazia um dia de Sol maravilhoso e pra chegar na rodoviária e pegar o bus pra Trindade, a gente precisou passar pelo centrinho histórico de Paraty. E foi aí que meu coração começou a derreter de verdade.
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Que lugarzinho charmoso! Varias lojinhas, cafés, cachaçarias, restaurantes, todos naquele estilo colonial… a rua de pedras… bandeirinhas pra todos os lados. Eu achei aquilo tudo fofo demais! Alguma coisa ali me cativou em segundos. Acho que foi a vibe romântica mas ao mesmo tempo descolada.

Pegamos o ônibus pra Trindade e o resto eu continuo depois.

Começando a pensar no réveillon…

A Primavera já chegou, Outubro tá quase aí… mais três meses é 2015. O réveillon é um dos meus feriados preferidos! Esse clima de renovação realmente me envolve mas eu nunca consigo planejar nada muito bacana porque, 1) só descubro se vou ter folga do trabalho muito em cima da hora, 2) os preços ficam altíssimos e qualquer viagenzinha sai o valor de alguma trip internacional fora de temporada, 3) os amigos vão cada um pra um lado e falta companhia.

Só que sempre que chega essa época do ano eu começo a pensar em possibilidades para uma virada digna. O que eu queria mesmo era começar o ano com grande estilo em Fernando de Noronha… mas enquanto eu não enriqueço o suficiente pra isso, me contento com lugares próximos de SP que são acessíveis de carro – porque pegar avião nesse feriado é pedir pra falir.

Dessa vez, estava procurando um lugar mais tranquilinho e sem muita badalação mas ao mesmo tempo com uma estrutura mínima de restaurantes/barzinhos pra passar uns dias zen em casal ou com um grupo pequeno de amigos. Pensei em Ubatuba e Paraty, duas cidades aqui por perto, que sei que são mais sossegadas e com um mix de atrações para todos os gostos. Pra deixar o clima mais intimo ainda, achei interessante usar o Airbnb pra encontrar acomodações charmosinhas e com preço legal.

Ubatuba

ubatuba

Ubs, como eu carinhosamente chamo o lugar onde eu aprendi a gostar de praia, fica no litoral norte de SP, mais ou menos umas 3h de carro da capital. É uma cidade tranquiiiila, tem praias lindas pra todos os gostos. A única coisa que complica é a locomoção – sem carro, não rola. Nunca passei o Reveillon lá, mas já passei no Guarujá e não foi tão bagunçado assim, então imagino que lá seja bem mais sossegado. Lá, achei duas acomodações com preço acessível pra esse salário de recém-formada:

Flat Fofo em Itaguá
Itaguá não é a minha praia preferida de Ubatuba, mas estando lá fica fácil achar praias lindas em poucos minutos.

Chalé Aconchegante na Vermelha do Centro
A Vermelhinha do Centro é uma praia ótima pra surf, o que significa que já foi muito frequentada pela minha pessoa. Culpa dos meus amigos surfistas que sempre davam uma passada por lá pra dar um check no mar. Acho ela bem localizada, perto do centro e com fácil acesso para outras praias lindas.

Paraty

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Conheci Paraty ano passado, numa mini viagem aleatória com uma amiga. Arrisco dizer que foi uma das melhores viagens da minha vida. A cidade é um charme, super romântica, tem praias liiiindas e uma vida noturna delícia. Não vou dar mais detalhes, porque acho que a cidade merece um post inteiro dedicado só pra ela. Achei um quarto – pousada lindo por lá e não tenho dúvidas de que o reveillon por ali seria ótimo.

Destino tropical: Hawai’i Big Island

Praias, neve, vulcões, deserto, cachoeiras, águas cristalinas e areias exóticas, tudo no mesmo lugar? Parece impossível né? Mas é a realidade na Big Island. A maior ilha do arquipélago Havaiano é um mix de todos os climas do planeta – coisa de louco. É lá onde fica o Kilauea, o vulcão mais ativo do mundo e também o Mauna Kea, um dos melhores lugares para se observar as estrelas no planeta. Isso sem falar das praias de areias negras e verdes e quilômetros e mais quilômetros de campos cobertos de lava. Deu vontade de pegar a mochila e ir pra lá já? Então vem!

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O ideal é pegar um vôo e desembarcar em Hilo. Ainda no aeroporto, alugue um carro – fica meio difícil se locomover pela ilha sem um. De quatro a cinco dias são suficientes para conhecer todas as atrações.
Comece bem cedinho pelas cachoeiras, Akaka Falls e Rainbow Falls. Para visita-las é preciso pagar uma taxa de manutenção em uma vending machine, então leve dinheiro trocado!

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Siga a rodovia em direção ao Volcanos National Park. É por lá que começa a visita ao Kilauea. Chegando no parque, é possível se informar sobre trekkings para ver lava ao vivo ou seguir o caminho de carro mesmo. Tudo depende do clima. O visual incrível é garantido de qualquer maneira, com mirantes no meio do caminho e tudo muito bem sinalizado.
Seguindo o caminho de carro, a estrada acaba em um penhasco enorme, num trecho que foi recentemente invadido por lava. O passeio dura o dia inteiro e não existem lanchonetes no caminho, então é interessante levar alguns snacks no carro. Se você curte um pouco mais de adrenalina, é possível fechar passeios de helicóptero para ver o vulcão do alto.

kilaueaNa volta, já de noite, pare no Jaggar Lookout, um observatório que fica na beira da caldeira do vulcão e de onde é possível observar uma fumaça vermelha subindo quando escurece. Parece filme! É lá também que fica o Jaggar Museum, com um pouco mais da história das erupções e curiosidades sobre abalos sísmicos.

night No dia seguinte, siga viagem em direção à Kailua-Kona, uma vilazinha um pouco mais comercial na ilha. Pelo caminho, aproveite as praias de areias negras e o contato próximo com animais marinhos. É possível ver tartarugas bem de perto em quase todas as praias. O pôr-do-sol em Kona é um espetáculo à parte.

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Indo pro sul da ilha, em meio a um deserto que marca o ponto mais “sul” dos EUA, fica uma das praias mais exóticas do planeta. Uma hora a estrada acaba e é preciso seguir viagem a pé ou pegar carona com alguns dos 4×4 que ficam estacionados por lá. O preço é meio salgado, mas se escolher ir a pé, tenha certeza de que está em forma. É mais de 1h de caminhada em um terreno completamente irregular e seco. Muito seco! Qualquer uma das opções vale a pena: não é todo dia que a gente encontra uma praia de areias verdes e água azul cristalina no final do caminho.

greensand Reserve também um dia para acordar bem cedinho e ir ver o sol nascer no Mauna Kea. Leve roupa para o frio: durante o inverno neva por lá (tudo culpa da altitude). Faça uma parada na estação de informação para visitantes para adaptar os pulmões à altitude e organizar a visita. Menores de 16 anos não poderão seguir viagem à partir daqui. No pico fica um dos maiores observatórios astronômicos do mundo e das 18h às 22h existe um programa de observação de estrelas que é um sonho.

Boa viagem! 😉